tu és o nó de sangue que me sufoca.
dormes na minha insónia
como o aroma entre os tendões da madeira fria.
és uma faca cravada na minha vida secreta.
(herberto helder)

photo by cindy sherman
dormes na minha insónia
como o aroma entre os tendões da madeira fria.
és uma faca cravada na minha vida secreta.
(herberto helder)

photo by cindy sherman

18 Comments:
não sei comentar.
Já estava a estranhar. Estavas a ficar demasiado consensual...
rsrsrsrsrs!
Beijo. Francisco.
Que metáfora sanguínea para definir a capital importância da dor da funcionalidade...
Respeitos!
Navegando de blog para blog finalmente percebi. Este é o post pós Diamanda Galás!
Sortuda!
O Herberto Helder roubou-me as palavras ;)
Sabes que o Herberto Helder nunca foi dos meus poetas. Por isso, leio-o pouco, e também por isso, fico sempre surpreendido quando me surgem coisas destas :-) Beijinho meu
O Herberto Helder é o maior poeta português vivo, prova disso é o que ele consegue transmitir a partir de poucas palavras. è realmente dificil comentar Helberto Helder!
. Vulcões... Estava o amigo a dizer-me: pensar, não - reagir. HH
E o cantar assim, sem fôlego, dunas fulvas, no bosque que há em nós, por dentro, na linha precisa da mitologia, do reflexo do espelho, olhos raiados de vermelho - sim, quem espreitar para o interior verá esse fantástico sinal de vampirismo - faz-me dizer: sim, ele estava morto, morrera na minha nascença, convulso, cravado em mim.
Muito belo este poema do HH, que pincela magistralmente o desespero do amor apaixonado que (des)espera sem qualquer esperança ou confiança.
"dormes na minha insónia":
a persistência do assombro, mesmo qdo cerramos as cortinas de pálpebra ao mundo...
Um dos meus poemas predilectos de sempre. Que fantástico gosto, Corpo! :)
É incrível como ao seleccionares este trecho nos deixas tão angustiados. O poema no todo não nos faz sentir assim.
Nuno Vargas
Hey Corpo :) Cá estou eu de volta pela blogosfera e a visitar os companheiros de jornada. Nada como umas férias para apagar o que nos sufoca durante o ano e que nos ajuda a renascer das insónias e a voltar a sentir o aroma das belezas que perdemos durante 11 meses do ano. (Inspirado nas palavras de Herberto Helder).
Bjzzz de regresso
E N O R ME post. em tudo. Tudo.
o herberto é um génio.
tenho andado a ler imenso os surrealistas. cesariny, lisboa, comprei tb o henrique leiria... e tb tenho lido sobre eles. de facto é uma aventura essencial para quem gosta de poesia.
tenho postado algumas coisas dentro desse universo.
adoro muito. herberto helder. o josé fica louco. fica louco.
os poemas (ou excertos) estão muito bem ilustrados. as imagens enriquecem-nos numa das ideias fortes e dirigem-nos para ela. Bjs e :)
Vim à procura de H. Helder aqui. Move-me também a curiosidade da imagem associada.
Saberás que postei "Ou o poema contínuo"...e dos poetas portugueses, vivos, ele é seguramente o que mais sabe dedilhar versos.
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