Sunday, November 26, 2006

miguel gonçalves mendes o mário tem medo da morte?

mário cesariny sou capaz de ter, um bocadinho. não sei o que é. (ri) mas gostava de ter daquelas mortes boas... a gente deita-se para dormir e nunca mais acorda, isso é que é bom. mas tenho medo sobretudo da degradação física, isso sim! porque eu já sofro um bocadinho, vá lá, isso é que é muito chato, isso já é a morte a trabalhar, a trabalhar.
a morte propriamente não existe. se morreu, morreu... é o momento! tens medo da morte tu?

26 Comments:

Blogger [N] said...

- alegre triste meigo feroz bêbado
lúcido
no meio do mar

claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar -
.....

3:34 pm  
Blogger holeart said...

estaremos todos juntos num grande festim.

todos lá estaremos

tu tambem

no meu castelo.

4:50 pm  
Blogger Yardbird said...

É verdade. Morreu o homem que te deu o nome. RIP

5:38 pm  
Blogger merdinhas said...

...sim ...pensei em ti vinha saber do que dirias. Achei que dirias.

6:04 pm  
Blogger intruso said...

...tal como ele, temo o sofrimento, a degradação...

dia triste este,
num momento.



(conheço-te apenas daqui, mas pensei o mesmo que o/a merdinhas...
...

Visível, o Mário.

Autografia é tocante.
muito...)

9:32 pm  
Blogger merdinhas said...

Há uma entrevista em que ele diz que não pensa na morte mas sim na doença...

E não resisto ao poema...
"sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
( antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa )
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente – tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris – já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião – não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais – também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande! "


In "Pena Capital"...M.Cesariny

11:59 pm  
Blogger merdinhas said...

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12:00 am  
Blogger merdinhas said...

RTP 2 hoje...11h15 ou 11h30...

12:01 am  
Anonymous Anonymous said...

"Apaga as estrelas e vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge..." Al Berto

8:05 am  
Blogger Mendes Ferreira said...

Tinha. mas só na justíssima medida de ser um momento de passagem.

que desejava breve e leve.


e foi.
_________________!

6:54 pm  
Blogger [N] said...

Agora somos pequenos e inúmeros e percorremos o espaço com gangrenas
nas mãos
e intentamos chamadas telefónicas
e marcamos de novo e desligamos depressa
e tu pões uma écharpe sobre os ombros
e eu visto o meu casaco e saímos de vez
porque nós somos a multidão a que eu chamo
o homem e a mulher de todos os tempos áridos
e como sempre não há lugar para nós nesta cidade
esta ou outra qualquer que de perto ou de longe a esta se pareça

7:52 pm  
Blogger MBSilva said...

Um poeta desconcertante! Com uma lucidez como poucos... E cheio de verdade!!!

«Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!»

É a vida...

8:06 pm  
Blogger raquel said...

acompanhanar-nos-ão sempre as suas palavras. nos esconderijos dos nossos castelos, na corrente dos nossos rios, no sal das lágrimas dos mares, na brisa do ar.
esperemos que nos atendam, que a vida é breve para chamadas perdidas...

8:20 pm  
Blogger manhã said...

este modo de iludir as expectativas. de procurar a autenticidade.

6:59 pm  
Blogger Mr_Lynch said...

Corpo Visível;
Perdemos um génio. Mário Cesariny... Excelente escritor e pintor. O surrealismo em Portugal ficou (muito) mais pobre...

10:28 pm  
Blogger Bandida said...

temos medo da morte?...





a festa será por lá...



_________________________

12:27 am  
Blogger ART&TAL said...

hoje é 5ª e eu aguardo ainda os teus circulos.

porra estou a ouvir lou reed.

7:29 am  
Anonymous Anonymous said...

"quero morrer com uma overdose de beleza..." al berto

8:59 am  
Blogger O Caso de Charles Dexter Ward said...

Imagino o teu vazio...
Um beijo.

1:52 pm  
Anonymous Anonymous said...

eu tenho. e muito.

3:16 pm  
Blogger CPiteira said...

fiquei radiante do teu regresso
n tão radiante pelo motivo

...de qq forma gosto-t

12:23 am  
Blogger Lis said...

Assim se tornam visíveis, os corpos.

8:12 pm  
Blogger merdinhas said...

Estavas com saudades da miúda da Leica?

...

Pois ...matam-se saudades assim...a rever algumas fotografias
e a reler Cesariny ...

8:29 pm  
Blogger Nin said...

É assim... vamos morrendo pouco a pouco, ficando inúteis fisicamente... É disso que devemos ter medo... :/

11:30 pm  
Blogger a rasar o ceu said...

apenas para saber.


de ti.



beijo.

6:35 pm  
Blogger merdinhas said...

e ainda a ...

12:11 am  

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